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Pois é... parecem incompatíveis, mas podem conviver uma com a outra.

 

Aos 32 anos, no dia 20 de Outubro de 2005, foi-me dado o diagnóstico... tinha Leucemia e uma vida inteira para viver!

 

Fugiu-me o mundo, o chão, faltou-me o ar, quis gritar, chorei e se chorei, passei dias a chorar e a tentar habituar-me à enfermaria do IPO, onde, por tempo indeterminado, seria agora a minha casa e o meu pequeno quarto.

 

" A partir de agora a sua vida não vai ser mais a mesma" - disse a minha médica.

 

Tanta informação para digerir, tanta coisa a que me habituar, tanta pergunta para fazer.

 

De forma pouco consciente, dei-me uma oportunidade, a de querer aprender a conjugar a Leucemia com a Vida - a minha Vida que eu ainda tenho para viver, aprendendo com esta dura e cruel experiência, mas também muito enriquecedora.

 

Não desistir, não alimentar o sentimento de revolta e encarar todos os tratamentos de quimioterapia como " dadores de tempo para viver".

Já são vários tratamentos feitos e ainda mais para fazer e, estes "dadores de tempo", já me permitiram chegar aos 3 anos de sobrevivencia à doença e conto com muitos mais.

 

São 3 anos de muita aprendizagem, principalmente depois de Maio deste ano, quando numa consulta de rotina, a minha médica me diz que a doença voltou - uma recaída - o que se teme mais ouvir depois de se ter a doença controlada durante 2 anos e meio.

 

" E agora? Terei a força e coragem de passar por tudo outra vez?" - pensamento que me assombrava de tempos a tempos durante a remissão e que agora se confirmava.

 

Sim, a recaída é muito mais difícil de gerir emocionalmente, pois já se conhece a dor física e a dor da alma.

 

A segunda vez foi clinicamente mais difícil e por consequencia, emocional e fisicamente mais "pesada" para mim.

 

Ao dia de hoje, tendo conseguido ao fim de 3 ciclos de quimioterapia e 3 meses e meio de internamento, que a minha medula produzisse as células de forma normal, conseguindo controlar de novo a doença.

 

E que posso eu fazer? Só posso comemorar o facto de estar hoje a partilhar convosco as minhas experiências, de estar em casa com o meu marido e família, poder visitar os meus amigos e tão importante como tudo isto, poder de alguma forma dar alento a quem possa estar a passar por esta experiência ou a algum amigo ou familiar de alguém.

 

Mesmo sem dador compatível e, sendo no meu caso, o mais indicado fazer transplante de medula, não perdi a esperança de continuar a sobreviver à Leucemia, esperando consegui-lo por muitos anos.

 

Hoje senti que deveria criar um blog e partilhar com o mundo que é possível, basta acreditar e não desistir.

 

 

 

 

publicado por Carla A. Silva às 21:37

comentários:
Minha Querida Carla
Fantástica esta ideia, continua a escrever e deitar para fora o que te vai na alma é bom para ti e para os teus amigos pois assim entendemos melhor o que tens passado. És uma menina muito bonita vais ultrapassar tudo com dador ou sem dador, estamos contigo sempre. És uma lição de vida, a tua coragem e persistência são um exemplo para outros. Continua com o blogue, escreve muito nós cá estamos para lêr.
Aquele abraço!!!
Fatima
fatima a 20 de Novembro de 2008 às 10:17

Cara amiga

Temos amigas comuns, não desistas da tua luta, há semre uma luz ao fundo do tunel e nunca se deve perder a esperança.

Jorge
jorge a 24 de Novembro de 2008 às 09:24

Ola Carla.
Chamo-me Catarina e sou uma estudante do 12ano. Para uma disciplina estou a desenvolver um projecto que tem como tema "leucemia". Gostaria muito de entrar em contacto consigo porque queria saber melhor a sua historia.
se estiver interessada diga-me qualquer coisa: catarina_correia2@hotmail.com

as melhoras.
Catarina a 8 de Fevereiro de 2009 às 18:55

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