27
Abr 09

O corpo que eu sou®

 

Quando tudo começou era assim...

... detentora da verdade única - a sua! - inquestionável, detalhada - aliás, detalhada não, minuciosa - e claro, talvez indecisa.

 

Esta era a sua atmosfera, aquela que conhecia e que, segundo ela, a levaria a alcançar o tão desejado pote de ouro no final do arco-íris.

 

E os sentimentos? Claro que os tinha e até se permitia a experienciá-los de quando em vez. Principalmente nas suas manifestações públicas de "Detentora da Verdade Única" e, de acordo com o que alguém uma vez lhe disse - "A nossa dor é sempre maior que a dos outros, porque é a nossa.", também qualquer desacordo ou tentativa de explanação de um pensamento divergente era imediatamente rotulado (mentalmente, claro!) de pequeno e, obviamente sem visão. Porque ela sim, era visionária e até se chateava com a falta de visão alheia.

 

Continua...

 

 

publicado por Carla A. Silva às 21:03

19
Nov 08

As visitas de rotina ao IPO, as consultas, as análises...

 

Na próxima semana devo saber o que se segue. Mais quimioterapia, autotransplante? Bem, que seja a melhor decisão e a melhor solução.

 

O importante é tentar, investir e acreditar.

 

 

publicado por Carla A. Silva às 20:58

07
Nov 08

Pois é... falei, ou melhor, escrevi, escrevi e nem uma única palavra sobre a perda do cabelo ( a alopécia).

 

Nem tal me ocorreu, pois nunca foi significativo para mim. Sempre achei  ( e continuo a achar) que era das situações mais fáceis de ultrapassar. Cai e volta a nascer e, por incrível e até mesmo impossível que possa parecer, gostei imenso de me ver sem cabelo.

 

Neste momento tenho um magnífico " pente 2" que não me dá trabalho nenhum, seca-se com a toalha e está pronto! Acho que o vou manter por mais uns tempos. 

 

Sim, vou fazer mais quimioterapia, mas este tratamento não faz cair o cabelo. É verdade, as coisas evoluem, assim como nós devemos evoluir e começar a aceitar o Cancro como uma doença com a qual podemos viver, mesmo sabendo que não é tarefa fácil e que precisamos da nossa família, amigos, colegas de trabalho, enfim, do mundo. Mas do mundo já nós precisamos para viver, não é?

 

As minhas verdades, são isso mesmo, minhas, não tenho a pretensão que sejam de todos ou de alguns. São a minha leitura e interpretação do meu caminho e da luta diária que travo há já 3 anos.

 

Partilhem comigo as vossas batalhas, sejam elas quais forem, pois as nossas são sempre as mais difíceis e as nossas dores são sempre as maiores.

 

 

publicado por Carla A. Silva às 19:06

06
Nov 08

Pois é... parecem incompatíveis, mas podem conviver uma com a outra.

 

Aos 32 anos, no dia 20 de Outubro de 2005, foi-me dado o diagnóstico... tinha Leucemia e uma vida inteira para viver!

 

Fugiu-me o mundo, o chão, faltou-me o ar, quis gritar, chorei e se chorei, passei dias a chorar e a tentar habituar-me à enfermaria do IPO, onde, por tempo indeterminado, seria agora a minha casa e o meu pequeno quarto.

 

" A partir de agora a sua vida não vai ser mais a mesma" - disse a minha médica.

 

Tanta informação para digerir, tanta coisa a que me habituar, tanta pergunta para fazer.

 

De forma pouco consciente, dei-me uma oportunidade, a de querer aprender a conjugar a Leucemia com a Vida - a minha Vida que eu ainda tenho para viver, aprendendo com esta dura e cruel experiência, mas também muito enriquecedora.

 

Não desistir, não alimentar o sentimento de revolta e encarar todos os tratamentos de quimioterapia como " dadores de tempo para viver".

Já são vários tratamentos feitos e ainda mais para fazer e, estes "dadores de tempo", já me permitiram chegar aos 3 anos de sobrevivencia à doença e conto com muitos mais.

 

São 3 anos de muita aprendizagem, principalmente depois de Maio deste ano, quando numa consulta de rotina, a minha médica me diz que a doença voltou - uma recaída - o que se teme mais ouvir depois de se ter a doença controlada durante 2 anos e meio.

 

" E agora? Terei a força e coragem de passar por tudo outra vez?" - pensamento que me assombrava de tempos a tempos durante a remissão e que agora se confirmava.

 

Sim, a recaída é muito mais difícil de gerir emocionalmente, pois já se conhece a dor física e a dor da alma.

 

A segunda vez foi clinicamente mais difícil e por consequencia, emocional e fisicamente mais "pesada" para mim.

 

Ao dia de hoje, tendo conseguido ao fim de 3 ciclos de quimioterapia e 3 meses e meio de internamento, que a minha medula produzisse as células de forma normal, conseguindo controlar de novo a doença.

 

E que posso eu fazer? Só posso comemorar o facto de estar hoje a partilhar convosco as minhas experiências, de estar em casa com o meu marido e família, poder visitar os meus amigos e tão importante como tudo isto, poder de alguma forma dar alento a quem possa estar a passar por esta experiência ou a algum amigo ou familiar de alguém.

 

Mesmo sem dador compatível e, sendo no meu caso, o mais indicado fazer transplante de medula, não perdi a esperança de continuar a sobreviver à Leucemia, esperando consegui-lo por muitos anos.

 

Hoje senti que deveria criar um blog e partilhar com o mundo que é possível, basta acreditar e não desistir.

 

 

 

 

publicado por Carla A. Silva às 21:37

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